A filósofa política Jodi Dean cunhou a expressão “capitalismo comunicativo” para descrever um fenômeno desconfortável: a multiplicação de mensagens em circulação não produz mais debate, produz mais circulação. A mensagem perde valor como contribuição e ganha valor como fluxo.
É uma crítica, não um elogio. E é uma crítica que qualquer conceito que trate comunicação como ativo precisa enfrentar de frente.
A objeção que ela levanta
Se a comunicação virou moeda, e se o que circula importa mais do que o que é dito, então incentivar pessoas a comunicar mais pode agravar o problema em vez de resolver algo. Mais ruído, mais performance, menos substância.
A objeção é séria e merece resposta específica, não uma frase de efeito.
A resposta que a formulação oferece
Três pontos.
Primeiro: o Capital Comunicacional não é definido por quantidade. A definição é explícita: é o poder acumulado a partir de como a comunicação é percebida, e não quanto se comunica. Volume alto com percepção fraca é capital baixo, não alto.
Segundo: a formulação trata a incoerência como passivo. O balanço comunicacional registra do lado negativo aquilo que o capitalismo comunicativo produz em série: exposição fora de contexto, promessa não cumprida, ausência de posição real.
Terceiro: o lastro é condição. Percepção sem entrega converte no curto prazo e se deprecia quando testada. Isso é o oposto de uma teoria que premie circulação vazia.
Onde a crítica continua válida
Em um ponto, ela não se resolve: se o poder percebido é consequente, existe incentivo para produzi-lo sem lastro. Esse incentivo é real e não desaparece porque a teoria o desaprova.
Por isso o conceito precisa vir acompanhado de dois cuidados permanentes. O primeiro é metodológico: qualquer medida deve incluir a confirmação pela entrega, e não só a percepção. O segundo é ético: quem ensina a construir percepção tem responsabilidade sobre o que ensina, e a diferença entre tornar visível o que existe e fabricar o que não existe é toda a diferença que importa.
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